terça-feira, 16 de setembro de 2008
Helena, a Arquivista
Helena comemora seus 45 anos no centro de documentação em que trabalha faz cinco ou 6 anos, já não lembra. Enquanto outros funcionários e estagiários cantam parabéns para você durante uma surpresa (já esperada por ela) associa seu trabalho à sua vida. Dedicou a maior parte do tempo de sua existência àquilo, aos documentos, àquelas pessoas; era infeliz em casa; o que tinha era uma vida infeliz! Não era possível regressar aos anos de juventude. Já não tinha outra sociabilidade que escapava desta, permeada pelos acervos e pelas pessoas envolvidas àquela ou à outra coleção; ou pela família (onde ultimamente agüentava as aventuras de seu marido beberrão). Está arrependida.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Conto Surreal

Surreal
Trilha sonora: The Man Who Sold The World: David Bowie
em primeira pessoa
apresentação...
Da grande ladeira... o nome das ruas: bento xvi e james dean
o lugar, quem estava lá, como era, o estranhamento
da amiga 'funeral doll"
do futebol na água
do descanço na agúa e as câmeras de vigilância
da mulher dominadora com um chicote perseguindo quem estava na casa.
o Robin pula da janela
O "documentário" do sonho
A galeria ultrapassada, pessoas passam, a televisão é desligada, o sonho acaba.
Ca. 1797-1799 . GOYA. El Sueno de la Razon Produce Monstruos. Rijksmuseum, Amsterdam
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Alimentação e Religião
Acho que é possível discutir religião sem se vitimar ou se doer. Não precisa cair no lado sentimental ou pro velho discurso de que "religião" não se discute, se discute sim, assim como alimentação. Acho qué é muito válido discutir e articular estes temas pois a alimentação do homem, desde milênios, fora revestida do lado espiritual ou religioso em diversas sociedades - principalmente a "ocidental" monoteísta (sobretudo na tradição judaica-cristã). Não é questão de atacar a bíblia, mas para o cristianismo comer carne é legítimo, somente algumas carnes em determinados dias possuindo um determinado significado de "sacrifício"" ou privação. O problema é que tem muitos cristãos que nunca leram a bíblia e mal procuram saber sobre o que acreditam.Para finalizar, vegetarianismo e ateísmo são dois campos que se complementam, sendo importantes instrumentos e visões de mundo para usos individuais e coletivos para uma verdadeira libertação do animal/ humana e das outras espécies animais.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Perdido
Ela é como um combustível
Queima... faz-me explodir
Para a vida!
Para os sonhos!
Quero, aqui, ficar?
Não sei se devo sair
Para que esperar?
Se não acredito no devir!
Nada faz bem!
E nada é do mal
Porém não encontro
Uma explicação racional!
Caí em uma rede
Da qual não consigo escapar
Daquele sangue sinto sede
Solamente una persona quiero amar!
Caminho rindo, embriagado
Com as sensações advindas
De sua existência
Engulo o choro calado
Lamentando a minha linda
E solitária demência
Simplesmente perdido
Completamente sem sentido
Aliás, há somente uma única direção
Da qual perdi as esperanças
De satisfazer meu coração
Dá vontade de gritar
como uma garotinha
Já perdi o controle da situação
Só me falta perder a linha
E detonar com dinamite
a minha imaginação
Amor
Ardor
Fedor
Tudo rima
Está tudo no mesmo saco
Fira-me
Insulte-me
Humilhe-me
Sobreponha-me
Eu te amo!
Queima... faz-me explodir
Para a vida!
Para os sonhos!
Quero, aqui, ficar?
Não sei se devo sair
Para que esperar?
Se não acredito no devir!
Nada faz bem!
E nada é do mal
Porém não encontro
Uma explicação racional!
Caí em uma rede
Da qual não consigo escapar
Daquele sangue sinto sede
Solamente una persona quiero amar!
Caminho rindo, embriagado
Com as sensações advindas
De sua existência
Engulo o choro calado
Lamentando a minha linda
E solitária demência
Simplesmente perdido
Completamente sem sentido
Aliás, há somente uma única direção
Da qual perdi as esperanças
De satisfazer meu coração
Dá vontade de gritar
como uma garotinha
Já perdi o controle da situação
Só me falta perder a linha
E detonar com dinamite
a minha imaginação
Amor
Ardor
Fedor
Tudo rima
Está tudo no mesmo saco
Fira-me
Insulte-me
Humilhe-me
Sobreponha-me
Eu te amo!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Inferno, uma alternativa à monotonia "paradisíaca"
o inferno é tu quem crias, as sombras pode ser o que procuras. É só fazer do inferno um lugar de prazer e das sombras a proteção para o sol da moral que racha sua cabeça de calor e desgasta seu desejo!
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Ventos
Ventos
Os Ventos já não se reconhecem
Sopram, mas não para as mesmas direções.
São tantos prédios, sem espaço,
Sem força para o sopro,
para digressões, perde-se na esquina
mais próxima, onde há uma lanchonete.
Sobrepassam pela cidade, abandonam
onde costumavam refrescar, não há
referência, não há consistência
como algo contaminado, misturado e
diluído num discurso sofisticado.
ventos, ventos, ventos...
que se deslocam, sem vontade
insignificantes entre o concreto
que perdeream o mistério, o ingrediente secreto
desejo, desejo, desejode retornar sem poder,
segundo as ordens das coisas.
Os Ventos já não se reconhecem
Sopram, mas não para as mesmas direções.
São tantos prédios, sem espaço,
Sem força para o sopro,
para digressões, perde-se na esquina
mais próxima, onde há uma lanchonete.
Sobrepassam pela cidade, abandonam
onde costumavam refrescar, não há
referência, não há consistência
como algo contaminado, misturado e
diluído num discurso sofisticado.
ventos, ventos, ventos...
que se deslocam, sem vontade
insignificantes entre o concreto
que perdeream o mistério, o ingrediente secreto
desejo, desejo, desejode retornar sem poder,
segundo as ordens das coisas.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Tropa de Elite
Que filme é esse? Uma história de um herói, de um anti-herói; de nenhum dos dois; de bandidos que são mocinhos, de mocinhos que são bandidos. É uma história amoral, não há um sentido, não há um ethos no mundo em que vivemos.
Tropa da Elite, tropa de elite... Uma instituição, toda instituição nasce decorrente de uma necessidade, dita "social", todavia quando é atrelada ou submetida ao Estado aquela é parida para assegurar certas vantagens, para remediar certos sintomas que escapam da saúde, do controle da sociedade forjada e medida por aqueles que a pensam, por aqueles que a concebem, a forjam, a configuram...
A película revela preconceitos, abusa deles, utiliza-o como ferramenta para atingir a catarse no público. Todavia o filme ainda consegue não ser preconceituoso, diria que é dialético em sua linguagem, arrisco aqui pois não possuo, creio eu, um hábil manejamento desse conceito. Além de tudo mostra aquilo que não queremos ver, que maqueamos no cotidiano para não sofrermos ainda mais das torturas psicológicas que agulham a vida daqueles que batalham nas grandes cidades, como os personagens do filme. A grande cidade é um espaço de guerra, é um espaço de luta onde o narcotráfico é um dos setores.
Uma sociedade autoritária onde a tortura reside e resiste, não ficara para trás nos tempos de chumbo e nem é visualizada apenas nos filmes que se passam nos períodos de ditaduras latino-americanas ou ainda nos livros sobre o Brasil colônia-império e escravocrata, está ainda em diversos lugares e espaços escondidos dos olhos da opinião... É um filme peculiar, atrela-se a essa idéia de nação que fora forjada e ainda é reproduzida, é extraído de uma realidade que se renova há séculos no cruzamento da violência com a conquista, no casamento desgastado da esperança em uma solução idealista com a fragilidade do real abstraído.
Não há uma conclusão. O conteúdo é gelatinoso, não se dá para saber onde se pisa, cada um tem o poder de criar a leitura desejada. Todos pensam em equacionar o problema (os problemas), outrossim cada um de nós potencialimos, a partir da nossa existência, os mesmos que condenamos. Percebemos à marteladas Nietzscheanas que somos demasiados humanos e que não há uma veste grande ou bonita o suficente para cobrir e esconder aquilo que existe conosco. Apenas conosco.
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